Olás, esse é o relato do nosso encontro-aula na terra encantada.
Chegamos lá por volta das 11h30, e a neblina imperava sobre o lugar! Logo fomos a um barzinho degustar a clássica bebida de lá - o choconhaque - e comer esfihas de todos os gostos e ideologias. Depois fomos dar uma volta pelo vilarejo. Vimos alguns pontos turísticos, uma casa muito engraçada que não tinha teto não tinha nada, o caminho que leva às trilhas, algumas casas abandonadas, um trem antigo sendo tragado pela natureza, e a Casa da Cerâmica. Esse último lugar, na minha opinião, é o mais mágico da terra encantada, lá as coisas acontecem! Lá, algumas artesãs expõem e vendem seus trabalhos em cerâmica, e é um espaço livre e aberto para qualquer coisa relacionada à arte ou intervenção social. E foi lá que fizemos nosso encontro.
No encontro fizemos o tradicional aquecimento-alongamento. Depois, a Potira dirigiu uma dinâmica de leitura de livros que levamos. Nessa dinâmica, fizemos leituras de trechos aleatórios, simulando diferentes situações, personagens e estados emocionais. Também, usando um livro de lendas, a Rita leu o começo da estória e alguns encenaram a continuidade da lenda (destaco o Lost, em sua boa atuação como temido - ou não - Barba Ruiva). Depois, ficamos andando pelo espaço e declamando/cantando aleatoriamente qualquer coisa que viesse às nossas cabeças. Foi aí que a magia começou. Uma criança passou pela porta da sala onde estávamos, cantando "Marcha soldado, cabeça de papel..." e nós, por que não?, continuamos a música, marchando. Logo, brotaram várias crianças na porta, que, aos poucos, foram se achegando. Em pouco tempo, elas estavam batucando num móvel de madeira, e cantando junto conosco. Aqui destaco as crianças: elas batucavam com uma incrível sincronia entre elas e com as músicas, além de cantarem enquanto batucavam. Apesar de não serem músicas muito "raiz da nossa cultura", já fiquei impressionado. Mas, eis que surge, das crianças, cantigas de ciranda (não cirandinha de criança, mas aquela música surgida em algum lugar do nordeste). "Cirandeiro, cirandeiro ó, a pedra do teu anel brilha mais do que o Sol...", "Eu sou, eu sou, eu sou, eu sou jacaré boiou. Balança o rabo jacaré, balança o rabo jacaré, eu sou jacaré boiou...". Aquilo foi lindo! E foi assim, entre cirandas, funk, techno-brega, etc, que foi até o final do nosso encontro. Depois, fomos à sala de onde vieram as crianças. Lá, elas estavam fazendo desenhos, bagunçando e trepando nas estruturas de madeira. Em azul, escrevo só por mim (Júlio). Lá, havia um desenhista afrancesado (nada contra quem estuda essa língua), que, em nome da segurança, podava o auto-conhecimento das crianças de seus próprios corpos e do espaço ao seu redor, mandando-as descer das estruturas da parede. Também havia uma garota que parecia uma professora de primário amargurada, que podava a autonomia das crianças, mandando-as ficarem sentadas, e podava sua criatividade, mostrando-lhes como elas deveriam fazer seus desenhos. Enfim, saí de lá puto da vida por ter presenciado isso! É válido citar que a galera conversou bastante com o francês, sobre qualquer coisa que não ouvi, que parecia interessante, e que alguns foram com a cara dele.
Depois disso fomos comer fogazza, ao som de Fernando Porto ao vivo. Ficamos um tempo sob uma tenda de barraquinhas, interagindo com alguns palhaços (eu não estava lá) e decidimos ir embora. Um choconhaque de saideira e fomos pegar o ônibus de volta da terra encantada.
Postei algumas fotos que tirei, estão neste link. O Will também tirou fotos.
Adorei este passeio-encontro, espero que haja mais desses =)
crianças sempre trazem a magia consigo,
ResponderExcluira magia que, infelizmente, se perde em muitos daqueles ou daquelas que crescem e se acham grandes por demais para notar as pequenas coisas da vida.
quanto aos educadores, hoje em dia precisam mais é serem educados.
queria muito ter ido.
acredito em nós, em nosso potencial.
amo vocês!
como eu já disse, é tudo uma grande fileira de dominós que foi derrubada há tempos, mas só agora conseguimos notar os efeitos.
beijos.
Compartilho do sentimento "puto" do Júlio. O cara estava falando de uma troca de objetos que eles fazem que simboliza um combate ao capitalismo, algo realmente interessante. Mas ele e a garota não "entendem" muito de projetos, muito menos com crianças. Não levam em consideração a cultura e a vontade delas. Querem ensinar apenas o que julgam importante. E desta forma, o potencial de todo mundo é desperdiçado. =/
ResponderExcluir...singular!
ResponderExcluirInspirador!
Amei, me lembro muito bem do meu encontro em Paranapiacaba. Realmente lugar encantador onde muitas coisas acontecem.
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