quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Eu, Ator E Anarquista

Através do teatro libertário, cheguei ao anarquismo. Ao tanger, compreender e sentir a mais elevada concepção de vida social e humana que as utopias projetaram, compreendi e senti quão nobre, generosa e emancipadora é a missão do ator.

Todas as injustiças, todas as misérias da sociedade em que vivemos com seus privilégios e ambições de poder, todas as paixões que emergem da intensa gama de contradições que refletem o comportamento e a psicologia humana, desfilam pelos textos representados no teatro. Esta complexa realidade é assumida pelo ator que, através de suas personagens e de suas interpretações, passa para o público mensagem que pode ser transformadora quando desperta uma centelha de revolta, que consola quando transmite um sentimento de solidariedade, de esperança e de bondade, que pode provocar o riso e a alegria mas que terá sempre uma perspectiva política.

Para mim o teatro tem uma essência libertária e o ator, mesmo sem uma adesão racional é, em certo sentido, anarquista. O ator tem que compreender e sentir a realidade em que vive e será mais livre, na medida em que suas decisões forem pessoais. Isso dependerá de seu desenvolvimento intelectual e afetivo e do fortalecimento de sua vontade, será o resultado de todo um processo educativo, político, físico, intelectual, afetivo e volitivo. Sua liberdade é relativizada pela convivência e interação com os outros. Ser livre não é fazer tudo o que ser quer, mas querer tudo o que se faz.

Ao adotar um padrão de valores onde todos os interesses se subordinam a princípios éticos e a liberdade fundamental, a solidariedade, constituindo-se em premissa básica para o desenvolvimento do potencial criativo do ser humano (um dos aspectos mais gratificantes da vida), me posiciono contra as instituições opressoras. Sou contra o Estado e os organismos que o sustentam com todas as suas imposições: o voto obrigatório, o serviço militar obrigatório e as mil sujeições obrigatórias. Sou contra todas as castrações, limitações e restrições que anulam a personalidade humana. Como anarquista, sou contra os organismos que sustentam e reproduzem um sistema de exploração e opressão do homem: partidos políticos, com a imbecilidade caricata de seus profissionais; instituições militares, policiais, judiciais, educacionais e religiosas a serviço de um sistema que corrompe e ofende a dignidade humana. Como ator, penso no teatro como um agente de transformação e não reprodutor de uma sociedade dirigida contra as mais legítimas aspirações do homem. Penso na mensagem poderosa que o teatro sempre transmitiu, na consciência crítica que o forma, através da história, desde a Grécia até a modernidade. Penso em Ésquilo, Sófocles e Eurípedes; Shakespeare, Moliére e Ibsen; Tchekhov, Brecht, Lorca e tantos outros que refletiram os conflitos humanos de suas épocas, com tragédias, dramas, comédias, mas também transmitiram o universal da existência humana. O ator foi sempre o porta-voz da mensagem, dando significado a seu texto, na medida da consciência de sua realidade e de sua perspectiva futura.

Para mim, ator e anarquista, a maior gratificação, a grande recompensa de cada instante de minha existência é o júbilo que a busca permanente das possibilidades humanas proporciona. A limpidez da alma na busca da superação, transmitindo o otimismo de um peregrino do ideal, de um militante da alegria, contente de viver, de estar no meio da procela, porque ainda há muito amor entre os homens.

Cuberos Neto

Fonte: http://paladardepalavra.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Despedir das Férias

Principio-me dizendo que tenho apenas a humilde pretensão de fazer um breve relato do encontro do dia 31/07, data esta conhecida como o último sábado de férias, para muitos. Para outros, nem tanto, mas não estou aqui para agradar troianos.

Começamos dispostos a expressar tudo aquilo que há muito vinha sendo discutido, sentido, criticado. Ideias conflituosas, sugestões, críticas, comentários... Tudo isso constituiu uma acalorada discussão que nos tomou as duas primeiras horas do encontro. Apesar de tudo, emergiram algumas considerações dignas de nota:
  • A EACH será considerada a âncora do grupo, um ponto de referência para a realização dos encontros. Outros locais para nos encontramos serão muito bem vindos, mas isso deverá ser programado e organizado com antecedência e parecer favorável de todos.
  • Devemos nos esforçar mais para estar presentes nas reuniões e -- não menos importante -- nas discussões acerca do rumo do projeto, que são feitas por MSN, Orkut, blog, etc.
  • Devemos contribuir com soluções, não com problemas. Cabe a todos ser pró-ativo e buscar o avanço do grupo. Temos a experiência de várias pessoas (dentre as quais se destacam o Karol, Marcos, e Potira) e devemos valorizá-la; entretanto, somente com os passos de todos poderemos trilhar o nosso próprio caminho. No início, serão passos desajeitados, como tudo na vida, mas devemos encarar isso como um incentivo para o amadurecimento coletivo.
  • Fizemos um brainstorm para definir a linha de atuação do grupo, e surgiram os seguintes conceitos, que deverão formar a pauta sobre a qual escreveremos nossa história: Entressonho, Diversidade, Sentir, Integração, Inovação, Inocência, Metamorfose, Espontaneidade, Crítica. Tais conceitos deverão ser muito bem compreendidos e assimilados por todos os membros, para que trabalhemos em prol de um objetivo comum.
Após o bla-bla-bla, fomos à prática. Começamos, como sempre, por um aquecimento e alongamento, que ainda me rende algumas dores musculares.

Em seguida, fizemos um exercício que consiste em escolher uma "vítima" para ficar à frente de todos, que devem fazer perguntas de qualquer tipo e simultaneamente. A vítima deve sempre olhar para um determinado ponto, tentar compreender e responder rapidamente os questionamentos. Após alguns minutos, outra pessoa foi escolhida para ir à frente, até que todos tivessem sido selecionados.

Então, formamos grupos de 4 pessoas, que ficavam em disposição de "quadrado". Uma das pessoas era a "principal", e cabia a ela responder as perguntas de outro participante, convencer o outro a não ir embora e olhar fixamente para o quarto elemento.

Após isso, "brincamos" de "zat, boing, vrum". Uma das pessoas repassava uma bola imaginária para outra, dizendo "zat". O receptor podia rebater a bola, dizendo "boing" ou repassar para o amiguinho do lado, dizendo "vrum".

Como exercício cênico, apresentamos algumas cenas improvisadas baseadas nos conceitos debatidos no início do encontro. As cenas apresentadas denominaram-se: "Hoje eu acordei urso", "Metamórfico e Estático" e "A Cura do Câncer".

Para finalizar, fizemos alguns exercícios de técnica e prática vocal, sob a liderança coletiva do Léo.

E, após isso, cada um seguiu o seu caminho, rumo ao próximo sábado :)